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Abegás defende térmicas movidas a óleo combustível
   

O governo terá de escolher até dezembro se vai manter total segurança de abastecimento de energia ou se abre mão do atual mercado de gás natural no próximo ano. Seca, fim da interligação com a Argentina e restrição de térmicas levaram à mais dura proposta anual de segurança da rede de energia já feita pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) desde quando o órgão começou a preparar curvas de aversão ao risco, em 2001. Reservatórios 61% cheios no Sudeste, como propôs o operador à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) são o mínimo necessário para compensar a escassez de chuvas e gás na região.


A mudança na curva de aversão ao risco, criada para evitar o esvaziamento dos reservatórios e um conseqüente apagão de energia no País, considera também o forte consumo de eletricidade.


Para calcular o volume mínimo necessário aos reservatórios de 2008, o ONS considerou os acontecimentos de 2007, que não foram os melhores.
Reservatórios com 50%


Hoje, a água ocupa em média 50% dos reservatórios no País. Mas, segundo a proposta, a segurança só estará garantida se esse percentual passar para 61%. E quando as hidrelétricas não atingem o nível mínimo indicado pelo ONS, o operador aciona as térmicas, que, por sua vez, consumem 55 vezes mais gás natural que uma indústria média comum, segundo a Associação Brasileiras das Distribuidoras de Energia (Abegás).


O presidente da Abegás, Armando Laudorio, defendeu no Rio que o governo priorize o despacho de térmicas movidas a óleo combustível e carvão em vez das plantas a gás.


A decisão provocaria um aumento no custo da energia na tarifa final, já que o gás produz energia mais barata que os demais derivados. O executivo defende que o custo adicional seja repartido entre todos os consumidores de energia do País, sem sobrecarga.


Caminho não definido


Apesar da iminente e recorrente crise do gás, as distribuidoras discordam da idéia de aumento no preço do gás, já informada pela Petrobras.
Um caminho que a Abegás poderá tomar, mas não definido ainda, é questionar a definição de preços do gás no Cade.


"O preço do gás não pode ser definido pelo agente que é o único produtor e que também define o preço de combustíveis que competem com o gás", disse.
Laudorio, porém, disse que a culpa da crise do gás é de todos: "É complicado sair à caça de culpados. Se há planejamento ou não, é culpa de quem faz, se há aumento do consumo, é culpa de quem aceita", falou, durante palestra promovida pela Câmara Britânica de Comércio (Britcham).


Regras atuais


Pelas regras atuais, o ONS despacha os geradores de energia pela ordem de custo da eletricidade. Mais baratas, as hidrelétricas têm prioridade.
Mas quando o nível da água fica abaixo da curva de aversão, o ONS aciona as térmicas a gás, na frente da fila em relação às movias a óleo.
As distribuidoras de energia alertam que planejar a escassez é possível em São Paulo, mas não no Rio.


O consumo industrial de 4 milhões de metros cúbicos diários pelas indústrias fluminenses é bem menor do que os 12 milhões que os paulistanos usam no setor.


O impacto de uma térmica no Rio, portanto é três vezes maior do que em São Paulo, como alerta o presidente da Abegás.


 

 
Fonte: Gazeta Mercantil
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