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Projeções indicam Bolsa a 80 mil pontos
   

Mesmo com as incertezas que rondam o cenário mundial, por conta do risco de recessão nos Estados Unidos, a Bolsa de Valores ainda figura entre as melhores alternativas de investimento no Brasil para 2008, na visão dos analistas, podendo cravar seu sexto ano consecutivo de alta. Projeções do HSBC Investments, a gestora de recursos do banco HSBC com R$ 53 bilhões de ativos, indicam uma valorização de cerca de 30% do índice Bovespa nos próximos 12 meses, para 80 mil pontos. Mesmo no curto prazo (período de três meses), segundo o principal executivo do HSBC Investments, Pedro Bastos, e o diretor de investimentos Mário Felisberto, a Bolsa tem potencial para bater 70 mil pontos.


"O grande salto da Bolsa já aconteceu, mas as perspectivas ainda são positivas", disse Felisberto. Para ele, o que determinará a valorização do mercado de ações é a continuidade da expansão dos lucros das empresas, além da melhora do risco-Brasil - que deve recuar para os 100 pontos-base com a confirmação do "grau de investimento" para o Brasil no ano que vem. Desde 2002, segundo o HSBC, o lucro das companhais abertas quadruplicou. Para 2008, o banco projeta crescimento de 11% nos lucros das companhias, um percentual menor do que os 19% esperados para este ano, mas ainda assim uma expansão forte, na opinião do diretor de investimentos.


"O efeito da desaceleração dos Estados Unidos sobre os lucros globais das empresas deve ser marginal", afirmou Felisberto. Isso, segundo Bastos, porque a China continuará puxando o crescimento da economia mundial nos próximos anos - para este ano, o HSBC estima em 11,4% a expansão do PIB chinês e, para 2008, ano das Olimpíadas de Pequim, em 12% -, mantendo aquecida a demanda por commodities e, conseqüentemente, os preços em alta. "O Brasil é o maior beneficiário deste processo", frisou Bastos. Segundo ele, a recuperação da Bolsa a partir de 2002 foi puxada justamente pelo crescimento da produção industrial da China e conseqüente elevação dos preços das commodities - ajudando a valorizar empresas como a Companhia Vale do Rio Doce.


Além das empresas de mineração e siderurgia, que devem continuar puxando para cima o Ibovespa, Felisberto aposta nas ações da Petrobras, cujo resultado financeiro deverá ser beneficiado pelo aumento dos preços do petróleo. O HSBC tamb´ém trabalha com perspectivas positivas para setores como consumo, varejo, bancos e construção.


Para André Delben, sócio responsável pela área de gestão da Advisor Asset Management, o que deve puxar a valorização da Bolsa no próximo ano é o fluxo de recursos externos, muito mais do que a expansão dos lucros das empresas. "O ganho virá do mercado internacional", afirma. Segundo ele, com a desaceleração das economias americana e européia e conseqüente impacto para os mercados acionários, os investidores globais vão atrás dos países emergentes, que sobreviveram à crise do subprime e vêm registrando crescimentos sustentáveis. "2008 será o ano da bolha das Bolsas de emergentes, porque vão subir por conta do fluxo e não do crescimento dos lucros das empresas", diz.


O gestor explica que a expansão dos lucros, especialmente dos setores de varejo e construção civil (que ganham com economia aquecida), já está embutido nos preços das ações, tanto que é muito difícil hoje achar empresas baratas. "O excesso de otimismo acabou fazendo com que os preços das ações subisse mais rápido do que os lucros das empresas", afirma. Outro fator importante, na avaliação do gestor, é a mudança no comportamento do investidor global depois do início da crise do subprime, que se tornou muito mais seletivo e só tem olhos agora para as ações conhecidas como "blue chips", entre elas Vale, Petrobras, empresas de mineração e siderurgia e bancos.


O diretor de investimentos do HSBC também aposta no aumento do fluxo de recursos externos para a Bolsa brasileira. Na avaliação de Felisberto, primeiro porque os mercados emergentes vêm passando ao largo da crise imobiliários americana. Além disso, segundo o dirtetor, a tendência de juros mais baixos nos Estados Unidos e Europa, a fim de brecar a desaceleração da economia, garantirá a liquidez para mercados emergentes.

 

 
Fonte: Gazeta Mercantil
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