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O consumo de energia no Brasil atingiu volume recorde no acumulado de 12 meses até o final de outubro, devido ao aumento da demanda por parte do setor industrial e do comércio, informou nesta sexta-feira a estatal EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
De acordo com relatório divulgado pela EPE, o consumo no acumulado de 12 meses até outubro obteve um acréscimo de 17,8 mil gigawatts em relação a igual período de 2006, pulando para 372.960 gigawatts/hora, uma alta de 5%. "Isso mostra uma mudança de patamar no Brasil... é o maior volume de energia consumido dentro da série histórica", disse a jornalistas o presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim.
A entidade informou que o consumo de energia no Brasil apenas no mês de outubro ficou 6% acima do verificado em outubro de 2006, em um volume de 32.087 gigawatts/hora.
"Esse crescimento é positivo, se não houvesse aumento é porque estaríamos em recessão", avaliou, rebatendo preocupações com o risco de racionamento se o consumo continuar alto. "Não há problema de desabastecimento, as distribuidoras estão com energia contratada até 2012, mas vamos fazer mais dois leilões para ajustes de oferta em 2011 e 2012, não vai faltar energia", disse o executivo.
A região Centro-Oeste, movida pela agroindústria, teve uma das maiores mudanças de patamar, segundo levantamento da EPE. Em outubro de 2006 o consumo havia crescido 2,5% em relação ao mesmo período de 2005, enquanto este ano registra acréscimo de 6,3% na comparação anual.
Na mesma comparação, o consumo no Sudeste, responsável por metade da demanda por energia do país, subiu 4,7% em outubro deste ano, contra alta de 3,2% em outubro do ano passado em relação a 2005.
O consumo de energia pelo comércio, segundo dados da EPE de outubro, subiu 7,5% em relação ao mesmo mês de 2006, enquanto as residências demandaram mais 5,7%, e a indústria, responsável por quase metade da demanda total, teve alta de 5%.
Tolmasquim destacou a perspectiva de aumento da autoprodução de energia, que em outubro correspondia a 8% do total consumido, ou 16% do consumo industrial. Em dez anos, estimou o executivo, a geração própria deve representar 13% do total ou 27% do consumo industrial.
"A autoprodução vai crescer principalmente nos setores de siderurgia, papel celulose, petroquímica e sucroalcooleiro", estimou Tolmasquim. De janeiro a outubro, o consumo de energia no país foi de 311.108 GWh, ou 5,2% a mais do que os 295.676 GWh registrados em 2006.
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